Sete anos se passaram desde a tragédia de Brumadinho, um desastre que marcou a história do Brasil e do mundo, deixando um rastro de dor, perdas e devastação ambiental.

No dia 25 de janeiro de 2019, o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Minas Gerais, resultou na morte de 272 pessoas, a maioria delas funcionárias da própria mineradora Vale, além de gerar um desastre ambiental sem precedentes. 

O impacto não se limitou às vítimas fatais, milhares de pessoas foram afetadas diretamente pela destruição da fauna e flora local, pela contaminação de rios e pela insegurança gerada pela lama de rejeitos. 

Sete anos após esse evento trágico, as marcas ainda são visíveis em Brumadinho, onde a luta por justiça e reparação continua, refletindo as consequências físicas, emocionais e sociais que perduram até hoje.

Em meio a esse cenário, o Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT), fundado com o propósito de continuar o legado de Camila e Luiz Taliberti, vítimas do rompimento da barragem, tem um papel central em manter viva a história da tragédia, conscientizando a sociedade sobre os riscos da mineração e a necessidade de cuidar do meio ambiente.

Ao longo desses sete anos, o instituto tem trabalhado incansavelmente para honrar a memória das vítimas, promover debates sobre direitos humanos e futuro sustentável, pressionando por ações concretas que garantam que a tragédia de Brumadinho jamais se repita.

Neste artigo, vamos refletir sobre o impacto da tragédia de Brumadinho e a importância do ICLT na luta pela memória e justiça.

Contexto da tragédia minerária

No dia 25 de janeiro de 2019, a cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, foi drasticamente impactada pelo rompimento da barragem de Córrego do Feijão, da mineradora Vale. 

O desastre, que matou 272 pessoas e deixou milhares de outros afetados, é considerado um dos piores desastres ambientais e humanos da história do Brasil. Os rejeitos da barragem, compostos por uma mistura de água e resíduos tóxicos, destruíram comunidades inteiras e afetaram irremediavelmente o ecossistema local. Ao todo, 12 milhões de metros cúbicos de lama foram despejados, comprometendo a qualidade da água e a vida de milhares de pessoas e animais na região.

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Os impactos foram vistos em minutos: famílias inteiras perderam seus entes queridos, e a paisagem natural da região foi destruída. Além da perda de vidas humanas, a tragédia provocou a contaminação dos rios e do solo, criando um cenário de insegurança permanente para a população. 

A destruição da vegetação e da biodiversidade local, essencial para a sustentabilidade ambiental, trouxe sérios danos ecológicos, os quais, sete anos depois, ainda são sentidos. A recuperação da natureza e a recuperação da vida de quem foi diretamente afetado continuam sendo desafios complexos e de longo prazo.

Impactos humanos e ambientais

Foto: Vinícius Mendonça/ Ibama

A tragédia de Brumadinho também deixou marcas profundas na saúde física e mental das pessoas afetadas. De acordo com estudos, como o realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a população local ainda enfrenta altos índices de doenças físicas relacionadas à exposição a metais pesados, como arsênio, chumbo e mercúrio, presentes nos rejeitos despejados. 

Além disso, muitos enfrentam sérios problemas de saúde mental, incluindo estresse pós-traumático, ansiedade, depressão e insônia, agravados pela perda e pela incerteza sobre o futuro, refletindo o impacto psicológico devastador da tragédia.

As consequências para a saúde de crianças e adultos são visíveis, com registros de problemas respiratórios, doenças cardiovasculares, que têm sido amplamente documentadas.

Além disso, o impacto ambiental permanece evidente. Sete anos depois, a região ainda sofre com a insegurança hídrica, com grande parte das famílias temendo a contaminação da água, que continua a ser um fator de risco. 

A contaminação dos solos e a presença de metais pesados em diferentes matrizes ambientais, como o ar e a água, têm gerado preocupação constante nas comunidades locais. A vida cotidiana em Brumadinho ainda é marcada pela desconfiança em relação ao consumo de recursos naturais e pelo medo constante da exposição a essas substâncias tóxicas.

Justiça socioambiental e responsabilidade das mineradoras

Até hoje, a busca por justiça para as vítimas da tragédia de Brumadinho continua sendo uma luta constante. Embora a Vale tenha acordado em pagar bilhões em indenizações e reparações, a responsabilização criminal ainda está em andamento. 

Diversas investigações e processos judiciais têm buscado responsabilizar a mineradora e outras empresas envolvidas, como a TÜV SÜD, a empresa alemã responsável pela certificação de segurança da barragem.

Porém, passados sete anos do desastre, as famílias das vítimas ainda aguardam uma resposta satisfatória do sistema judicial. Embora tenha sido firmado um acordo de reparação, a execução de muitas ações ainda está em andamento, e muitos afetados pela tragédia sentem que a justiça está sendo postergada. 

As questões legais e a demora na reparação têm gerado frustração, especialmente entre os familiares das vítimas, que continuam a exigir reconhecimento e a punição dos responsáveis. A luta por justiça, portanto, é um processo contínuo que exige compensação financeira e a garantia de que as práticas que levaram à tragédia de Brumadinho sejam erradicadas.

O caso de Brumadinho evidenciou falhas graves no sistema de fiscalização e na prevenção de desastres ambientais, o que gerou a necessidade urgente de revisão das normas e práticas do setor. 

Sete anos depois, o cenário continua desafiador, e a implementação de políticas públicas eficazes para a proteção das comunidades e do meio ambiente permanece uma prioridade urgente. Além disso, a reinclusão do ex-presidente da Vale no banco dos réus e as audiências programadas para fevereiro de 2026 mostram a importância da responsabilização pelos danos causados, refletindo a busca contínua por justiça e reparação.

Atuação do Instituto Camila e Luiz Taliberti 

A atuação do ICLT ao longo dos sete anos desde a tragédia tem sido marcada por ações concretas que visam conscientizar a sociedade sobre os impactos da mineração e promover um modelo de desenvolvimento mais sustentável. 

Em 2025, o instituto organizou dois eventos de grande importância, que se destacaram como plataformas de reflexão e mobilização para as questões ambientais e sociais envolvendo a mineração.

Um dos eventos mais significativos foi a exposição “Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo-Território”, que reuniu o trabalho de 12 artistas mulheres para refletir sobre os impactos da mineração no corpo humano e no território. 

Esta exposição, que passou por várias cidades, incluindo Ouro Preto e Belo Horizonte, ofereceu uma reflexão sobre como a mineração deixa cicatrizes irreparáveis tanto no meio ambiente quanto nas comunidades afetadas. 

Outro evento marcante organizado pelo ICLT foi a 3ª Mostra Cinema, Mineração e Meio Ambiente, realizada em julho de 2025, na Reserva Cultural, em São Paulo. Durante esse evento, foram exibidos filmes que abordam de forma sensível e impactante a devastação causada pela mineração, incluindo o filme “O Silêncio das Ostras”, de Marcos Pimentel. 

Além das exibições, o evento contou com bate-papos entre cineastas, especialistas e ativistas, proporcionando um espaço para discutir as questões que envolvem a mineração e as alternativas possíveis para a construção de um futuro mais sustentável. 

A Mostra reforçou a ideia de que a arte é um meio de mobilizar e sensibilizar a sociedade sobre a necessidade urgente de mudanças.

O legado da Camila e do Luiz

O trabalho do ICLT é, antes de tudo, uma homenagem à vida de Camila e Luiz Taliberti e aos valores que eles representavam: a defesa da dignidade humana e a preservação ambiental. O instituto carrega consigo o legado desses dois ativistas, cujo sonho era viver em um mundo mais justo e sustentável.

Esse legado se reflete em todas as ações do ICLT, que continua a lutar pela memória das vítimas e pela reparação dos danos causados pela mineração em Brumadinho. Camila e Luiz, mesmo não estando fisicamente presentes, continuam a inspirar o trabalho do instituto, que mantém viva a sua visão de um futuro onde a mineração não seja sinônimo de destruição e onde as vítimas de desastres ambientais tenham seus direitos respeitados.

Em cada ação, em cada evento organizado, o ICLT reafirma o compromisso de continuar a luta por um mundo mais justo e equilibrado, onde a exploração dos recursos naturais seja feita de maneira responsável, respeitando as vidas humanas e o meio ambiente. O legado de Camila e Luiz, que se tornou um símbolo de resistência e transformação, segue vivo no coração do ICLT e em sua missão de gerar impacto positivo para as futuras gerações.

Justiça climática e racismo ambiental

O conceito de justiça climática emerge da necessidade de abordar as desigualdades sociais e ambientais que ficam mais evidentes diante das mudanças climáticas. Trata-se de um movimento global que exige uma divisão mais justa das responsabilidades e recursos para mitigar os efeitos da crise climática, reconhecendo que as populações mais vulneráveis são as que mais sofrem com as suas consequências. 

A mineração, como prática predatória, está no centro dessa desigualdade. Os impactos dos desastres minerários, como o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, são um exemplo claro da distribuição desigual dos danos.

A tragédia de Brumadinho e outros desastres minerários no Brasil demonstram como as comunidades vulneráveis, muitas vezes compostas por pessoas de classes socioeconômicas baixas, indígenas, e populações marginalizadas, são as mais atingidas e têm suas vidas destruídas, enquanto as grandes corporações mineradoras continuam a explorar os recursos naturais sem arcar plenamente com as consequências sociais e ambientais de suas ações.

No Brasil, a história de desigualdade e exploração, enraizada em séculos de racismo estrutural e desigualdade social, se reflete também nas questões climáticas. A luta por justiça climática, portanto, exige uma reparação histórica das injustiças sociais e ambientais. 

Mineração desafiando a sustentabilidade

A relação entre mineração e meio ambiente no Brasil é complexa e problemática. A atividade mineradora tem sido historicamente responsável pela destruição de vastas áreas de floresta, contaminação de rios e solos, e o comprometimento irreversível da biodiversidade. 

Além disso, a mineração predatória tem gerado impactos sociais irreversíveis, afetando diretamente as comunidades ao redor das minas e alterando suas condições de vida. 

Estudos sobre mineração e suas consequências ambientais revelam que a indústria frequentemente ignora ou subestima os riscos que suas atividades impõem às comunidades locais e ao ecossistema.

O relatório do Business & Human Rights Resource Centre (2024) aponta que a mineração, especialmente de minerais críticos usados para a transição energética, muitas vezes coloca em risco os direitos humanos de comunidades indígenas e povos tradicionais.

No Brasil, as ações judiciais contra mineradoras como a Vale e a Hydro refletem a crescente mobilização das comunidades afetadas, que buscam garantir reparação e justiça pelos danos ambientais e sociais causados. Essas ações demonstram a determinação das vítimas em responsabilizar as empresas e alcançar soluções justas para os prejuízos sofridos

A relação entre a exploração mineral e o deterioramento ambiental é diretamente proporcional à vulnerabilidade das comunidades atingidas. A política pública brasileira sobre mineração tem falhado em proteger efetivamente essas populações e, muitas vezes, prioriza os lucros das grandes corporações mineradoras em detrimento da saúde e do bem-estar das pessoas e do meio ambiente.

A justiça climática e as normativas de reparação

Em resposta a desastres como o de Brumadinho, o Brasil tem implementado legislações que buscam garantir a justiça e a reparação das violações causadas pelas empresas de mineração.

 A Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB) e a Política Estadual dos Atingidos por Barragens (PEAB), implementada em Minas Gerais, são exemplos de normativas que buscam assegurar os direitos das vítimas de desastres minerários.

Essas políticas, que surgiram a partir de mobilizações populares e da pressão das comunidades afetadas, visam garantir uma reparação integral e justa, oferecendo assistência social, participação ativa nas decisões sobre reparação e a proteção dos direitos humanos.

Apesar de sua implementação, essas leis ainda enfrentam desafios na sua regulamentação e execução efetiva. A justiça climática envolve reconhecer a desigualdade histórica das populações afetadas pela mineração e atuar com responsabilidade social e ambiental.

Essas iniciativas de reparação são essenciais para que as comunidades afetadas, como em Brumadinho, tenham seus direitos reconhecidos e possam retomar suas vidas com dignidade.

No entanto, ainda é necessário um compromisso político mais forte para garantir que a justiça climática se concretize e que as empresas mineradoras sejam realmente responsabilizadas pelos danos irreparáveis que causam às pessoas e ao meio ambiente.

O futuro da mineração no Brasil 

O rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, foi um divisor de águas para o setor minerador no Brasil. 

A tragédia trouxe à tona a necessidade urgente de mudanças nas práticas da mineração, especialmente em relação à gestão de barragens e ao licenciamento ambiental.

O desastre de Brumadinho evidenciou falhas gravíssimas na fiscalização e na segurança das barragens, o que levou a uma revisão das normas e práticas do setor, principalmente no estado de Minas Gerais.

Desde o ocorrido, diversas reformas legais e regulamentares foram implementadas para aprimorar a segurança das barragens. Uma das principais medidas foi a criação da Política Estadual de Segurança de Barragens (PESB), sancionada em fevereiro de 2019, que exige a descaracterização das barragens alteadas a montante e a auditoria técnica obrigatória de todas as estruturas.

A PESB também determinou a atualização dos documentos de licenciamento ambiental e estabeleceu novas exigências para as empresas que desejam construir ou operar barragens no estado de Minas Gerais. Apesar dessas melhorias, os desafios persistem, especialmente em relação à efetividade da fiscalização e ao cumprimento das normas por parte das mineradoras.

Além disso, o Projeto de Lei nº 3.695, que visava aprimorar a segurança e o licenciamento das barragens, gerou um debate importante sobre a regulação da mineração no Brasil

No entanto, muitas das mudanças propostas ainda enfrentam resistência de grandes corporações mineradoras e a pressão de um lobby da indústria que continua a se opor a uma fiscalização mais rigorosa e a custos mais altos relacionados à segurança e à reparação dos danos socioambientais.

A indústria mineradora, uma das mais lucrativas no Brasil, continua sendo pressionada pela lógica do lucro rápido e pela falta de incentivos para mudanças substanciais em suas práticas. 

As grandes corporações, como a Vale, ainda dominam o setor e frequentemente conseguem contornar as regulamentações, minimizando suas responsabilidades financeiras e sociais.

Um dos maiores obstáculos para a transformação do setor é o lobby da mineração, que exerce enorme influência tanto sobre as políticas públicas quanto sobre as decisões judiciais. 

Esse lobby, aliado a uma falta de fiscalização eficaz, dificulta a implementação de práticas responsáveis e sustentáveis, perpetuando o ciclo de destruição e impunidade. Além disso, muitos dos recursos financeiros destinados à reparação dos danos causados pelas mineradoras, como o acordo de R$ 37,68 bilhões firmado com a Vale, têm sido criticados por não serem suficientes para atender às reais necessidades das vítimas e das comunidades afetadas.

A pressão das corporações por menos regulamentação também está vinculada ao desprezo pelas comunidades locais. A mineração irresponsável continua a afetar de forma desproporcional populações vulneráveis, especialmente comunidades indígenas e populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica, que têm seus direitos negligenciados. 

Portanto, além de garantir a segurança das barragens, é fundamental que as políticas públicas também assegurem direitos humanos e sustentabilidade social para aqueles que vivem ao redor das minas.

PL da da devastação

 A Lei Ordinária nº 23.291, sancionada após o desastre, estabeleceu exigências de segurança mais rígidas, mas a resistência das mineradoras a essas mudanças continua sendo um grande obstáculo.

Além disso, a implementação do PL 2159/2021 (PL da Devastação) representa um retrocesso nas políticas ambientais, pois enfraquece as proteções ambientais e limita a participação das comunidades nos processos de licenciamento de grandes empreendimentos. Esse projeto ameaça não só o meio ambiente, mas também os direitos das populações afetadas.

O lobby da indústria minerária, aliado à falta de fiscalização, perpetua práticas irresponsáveis que continuam a prejudicar o meio ambiente e as populações vulneráveis.

É fundamental também combater o PL da Devastação, que enfraquece as regulamentações e limita a participação das comunidades locais. Para saber mais sobre esse retrocesso e como ele pode afetar o Brasil, leia o artigo completo do ICLT sobre o desmonte ambiental aqui.

Soluções e propostas

Para enfrentar os desafios impostos pela mineração no Brasil, é essencial adotar soluções viáveis que envolvam um fortalecimento das leis ambientais, uma fiscalização mais rigorosa e a promoção de práticas empresariais mais responsáveis.

  1. Fortalecimento das leis ambientais
    A Política Nacional de Segurança de Barragens (PNAB) e a Política Estadual de Atingidos por Barragens (PEAB) representam passos importantes para a criação de um sistema mais robusto de proteção às comunidades e ao meio ambiente. Essas leis devem ser amplamente regulamentadas e aplicadas, garantindo a participação ativa das comunidades afetadas nos processos de licenciamento e reparação, e assegurando que as mineradoras cumpram todas as exigências de segurança e mitigação de danos ambientais. A implementação eficaz dessas leis pode ajudar a prevenir novas tragédias como a de Brumadinho e forçar as empresas a arcar com suas responsabilidades.
  2. Fiscalização rigorosa
    A fiscalização das práticas mineradoras deve ser intensificada, com maior transparência e controle público sobre as ações das empresas. Isso inclui a criação de sistemas de monitoramento em tempo real das barragens, a auditoria independente e a atuação de órgãos ambientais com poder real de sancionar as mineradoras que não cumprirem as normas. O reforço do Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) e da Agência Nacional de Mineração (ANM), com a alocação de mais recursos e a ampliação da capacidade de fiscalização, é crucial para garantir que as mineradoras cumpram as exigências legais.

O Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT), como destacado pela Agência Brasil, continua sua luta pela memória das vítimas e pela exigência de justiça e reparação. A organização tem se posicionado como um ator fundamental na busca por soluções para os problemas causados pela mineração, defendendo a responsabilidade das mineradoras e pressionando as autoridades para que ajam de forma mais firme e transparente. 

A luta por um futuro sustentável e justo para as comunidades afetadas é um compromisso que o ICLT assume com coragem, buscando evitar que tragédias como a de Brumadinho se repitam.

Mobilização social após a tragédia de Brumadinho

Desde o rompimento da barragem em Brumadinho, a mobilização da sociedade civil tem sido fundamental para a defesa dos direitos das vítimas, a preservação da memória da tragédia de Brumadinho e a cobrança por justiça socioambiental

Familiares das vítimas, movimentos sociais e organizações da sociedade civil passaram a ocupar espaços públicos, jurídicos e políticos para impedir o esquecimento do crime e denunciar a impunidade.

Atos públicos, manifestações, semanas de mobilização, campanhas de memória e ações de incidência política ocorrem de forma contínua, especialmente no mês de janeiro, quando se marca o aniversário da tragédia. 

Essas iniciativas foram decisivas para conquistas concretas, como o reconhecimento das pessoas atingidas como sujeitos de direitos, a criação de políticas públicas específicas e a consolidação do Memorial Brumadinho como espaço permanente de memória, denúncia e reflexão.

A experiência de Brumadinho demonstra que desastres ambientais e crimes da mineração não podem ser tratados como fatalidades, mas como violações de direitos humanos que exigem resposta coletiva e permanente da sociedade.

O trabalho de voluntários e ativistas ambientais tem sustentado a luta por justiça ao longo dos anos. Organizações como a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem de Brumadinho (Avabrum) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) atuam diretamente na defesa dos direitos das populações atingidas, no acompanhamento dos processos de reparação e na pressão por responsabilização criminal das empresas envolvidas.

Foto: AVABRUM

Nesse cenário, o Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT) exerce um papel estratégico ao articular direitos humanos, meio ambiente, cultura e memória.

Por meio de exposições, mostras de cinema, debates públicos, produção de conteúdo informativo e apoio às mobilizações sociais, o Instituto contribui para ampliar o debate sobre mineração no Brasil, denunciar retrocessos ambientais e fortalecer a participação social nos processos de decisão.

Essas ações ajudam a transformar o luto em mobilização social e reforçam a compreensão de que a justiça ambiental depende da atuação contínua da sociedade civil organizada.

A trajetória de Brumadinho evidencia que a participação social é essencial para evitar que tragédias ambientais se repitam. Envolver-se como voluntário, apoiar organizações independentes como doador, participar de atos públicos, compartilhar informações confiáveis e acompanhar debates sobre políticas ambientais e mineração são formas concretas de fortalecer essa luta.

Também é fundamental que a sociedade acompanhe projetos de lei, cobre transparência do poder público e denuncie retrocessos que fragilizam a proteção ambiental e os direitos humanos. A mobilização coletiva é o principal instrumento para garantir memória, justiça, reparação e não repetição.

Conclusão

Sete anos após a tragédia de Brumadinho, o impacto da tragédia continua a ser sentido, não apenas nas cicatrizes físicas deixadas na região, mas também nas vidas das vítimas e suas famílias. 

A luta por justiça e reparação segue firme, impulsionada pelo trabalho incansável de ativistas, organizações como o ICLT, e pela mobilização da sociedade civil. A tragédia reforça a necessidade urgente de mudanças nas práticas mineradoras, que devem priorizar a segurança, a responsabilidade ambiental e os direitos humanos.

A conscientização da sociedade, o fortalecimento das leis ambientais e a contínua pressão sobre as autoridades e mineradoras são essenciais para evitar novas tragédias e garantir um futuro mais sustentável e justo.

Por fim, a participação ativa da sociedade civil continua sendo o principal motor da mudança. É fundamental que todos se envolvam e se tornem defensores ativos da justiça climática e ambiental. A luta por um Brasil mais seguro e responsável começa agora, com cada um de nós contribuindo para a construção de um futuro melhor.